segunda-feira, 26 de abril de 2010

Hotel


















Matisse (1869-1954)

janela
o beiral corroído 
a vista corroída
as pernas abertas

lá dentro 
paredes tortas
o chão morto de frio
e os passos soando como um cavalo velho marchando pela noite

hotel sinuoso
estranha mesa,
desmaiado cinzeiro  
cotovelos sul-americanos

sentimento langoroso,
um desconforto forasteiro de duzentos anos

na ponte, neguinhos pedalando suas bicicletas
carros potentes lacerando a madrugada

pizza e o cheiro perfumado da classe média...
a donzela de quatro
o banho
as coxas

Pela manhã 
esqueceu do café que o hotel oferecia
deixou a mulher com as ancas de fora do lençol
e na portaria 
saiu de quebrada         
                                                     

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