quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Paixão num sanatório














                                       pic. Lucas FL.

Pelas manhãs
Arrastamos nossas pernas quebradas pelos corredores vazios
sentamos no chão do banheiro
e com os dedos magros e trêmulos
escrevemos no papel higiênico
a canção plasmática dos ventiladores
. . .
Nas tardes ensolaradas
bebemos o amargo da tintura turquesa
e ingerimos dipirona-plástica para contemplar -
as sondas torácicas drenando o pus da metade morta
. . .
Ao escurecer
procuramos abrigo na biblioteca
e com a luz apagada
usamos os livros alemães como vibradores
No ápice dessa conquista disrítmica
cria-se o beijo com o batom cor vertigem
e esquecemos dos nossos nomes
fissurados unicamente no flerte psíquico

domingo, 13 de novembro de 2011

Aro empenado


Antes de mais nada
passe uma flanela na óptica
_água do olho
amolece a lente...

Depois
volte
focalize
e filme até estourar as fibras da paisagem

Com um espeto enferrujado
ponta de grafite
costure em retalhos
um punhado de placas do DETRAN num plano A4
Acrescente algum passeio estreito do meio-dia
espalhe alguns fatos
e um cacto

Pedaços do tipo fumaça,
indiferença,
ruídos,
e sombras escaldantes
fica por conta da câmera analógica
ou digital

Quanto a ação do cenário
um atropelamento por dia,
duas colisões por hora,
um cidadão por segundo
ou uma duzia deles...

"dê preferencia para os idosos mais varridos"

Nada de lobos
estepes
ou gatas

Cigarro,
só se for canos de descarga baforando
e bebida,
aquela movida a gasolina

E na cena mais emocionante
não pestaneje
desligue a câmera
e vá embora

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Capital de estiletes


A namoradinha oxigenada do sargento
procura um psicólogo
O homem está a beira
a arma debaixo do travesseiro
cervejas entupindo a geladeira